Max Oliveira

10/12/2019

Bootstrapping 1 - Como empreender sem investidores

O impossível existe pra você? 

Em 2012 eu queria visitar a namorada, mas os preços das passagens aéreas estavam muito caros, então tive a ideia da MaxMilhas. Nem imaginava que, depois de sete anos, essa ideia - inicialmente despretensiosa - chegaria à marca de 5 milhões de passagens aéreas vendidas.

O que nasceu como um hobby em 2013, já no fim de seu primeiro ano, foi eleita “Startup Promissora do Ano” pela InfoStart, revista da Exame. E quem diria que aquela promessa se cumpriria com o prêmio “Startup do Ano” pelo Startup Awards, organizado pela ABStartups (Associação Brasileira de Startups), em 2017.

Nesse meio tempo, ainda nos tornamos a maior empresa de todas que participaram da, provavelmente, maior iniciativa do país de apoio ao empreendedorismo, o programa Startup Brasil, do Governo Federal. Os anos ainda não são tão longos, mas os aprendizados já parecem enormes, uma vez que são proporcionais aos tombos da caminhada.

Toda essa trajetória apenas com os recursos próprios, com apoio de muitas pessoas experientes, mas sem nenhum investidor financeiro -  jornada conhecida como bootstrapping.

Muitas pessoas me perguntam o que aprendi nessa jornada. Confesso que, às vezes, parece que não sei nada ainda. Sem falsa modéstia. De fato, não me especializei em nenhuma área e tenho essa sensação que deveria ter conhecimento maior do que tenho comparado ao tamanho do desafio que enfrento. No dia a dia, continuo batendo cabeça com cada problema. No entanto, percebi que, ao compartilhar a minha história, ajudava sim no aprendizado e motivação de outras pessoas. 

Atualmente, a MaxMilhas é,certamente, um dos maiores case de bootstrapping (startup que cresce sem investidores externos) do país. Por conta disso, comecei a dar palestras sobre o assunto em novembro de 2016, sendo a primeira já no maior evento de startups do Brasil, o Case. Desde lá até hoje, foram mais de 30 eventos em diferentes cidades do Brasil. 

Trago  em uma série de artigos os conceitos do bootstrapping encontrados na literatura e como aplicamos esses conceitos na prática durante esses seis anos. Segue o primeiro deles. Espero que você não desista da leitura no meio, assim como espero que você não desista de empreender. 

O termo bootstrapping nasceu no séc. XIX na Inglaterra. Sua tradução literária seria “levantar-se pela alça das botas”, mas ele era utilizado como uma expressão quando as pessoas queriam dizer que algo era impossível. Ou seja, provavelmente, quando um camponês inglês falava que ia voar até as Américas em 10 horas, outros deveriam dizer que ele queria fazer bootstrapping, pois, afinal de contas, era impossível. Recentemente, esse termo voltou a ser utilizado no cenário de empreendedorismo. Dado as dificuldades de se empreender sem dinheiro, quando uma startup decide (ou decidem por ela) tentar crescer apenas com recursos financeiros próprios, dizem que esta está em bootstrapping.

Trazendo para a nossa realidade, seria mais ou menos isso:


Estudando mais sobre o tema, identifiquei os seis principais conceitos do bootstrapping na literatura. Quando os li, percebi que tinham tudo a ver com nossa história na MaxMilhas. Assim, apresentarei cada um desses conceitos com os aprendizados que tive ao longo da jornada.

1ª lição: bootstrapping não é para iniciantes