Max Oliveira

16/04/2021

Integrante do Jota Quest, fundador da MaxMilhas e sócios criam startup de NFTs


Por Mariana Fonseca - Infomoney


A Brodr atuava com os “non-fungible tokens” antes de eles terem alta nas buscas; mais de 4 mil NFTs foram gerados pela startup em 2020.

As NFTs ganharam o interesse de diversos investidores nas últimas semanas, inclusive de brasileiros. Algumas empresas de tecnologia estão se monetizando com a tendência de transformar itens artísticos e colecionáveis em ativos digitais.

É o caso da brasileira Brodr. A startup comercializa NFTs de direitos autorais de letras de músicas e fonogramas. Em 2020, mais de 4.000 NFTs foram distribuídos por meio de três ofertas no marketplace que conecta artistas e investidores.

Em 2021, a Brodr espera lançar 12 ofertas iniciais de direitos musicais e atender também investidores do mercado americano. O InfoMoney conversou com Ricardo Capucio, cofundador da Brodr, para entender qual o potencial dos NFTs no Brasil — mesmo com queda nas buscas e desvalorização no preço médio desse tipo de investimento na comparação entre a segunda quinzena de março e a primeira quinzena de abril.


O que são NFTs?

NFT é a sigla para non-fungible tokens — em português, tokens não fungíveis. O especialista em mercado financeiro Gustavo Cunha explicou os conceitos de fungibilidade e de token em coluna publicada no InfoMoney.

Fungibilidade significa quanto um item pode ser trocado por outro da mesma espécie, qualidade e quantidade. Dinheiro, bitcoin ou um smartphone produzido em massa, por exemplo, são bens fungíveis. Já os bens não fungíveis não podem ser substituídos facilmente por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. É o caso de uma obra de arte, uma música ou um ingresso para um evento.

Já os tokens são os representantes digitais de algo, geralmente atrelados a um direito de propriedade. Segundo Cunha, ter um token é ter direito ao que ele representa. Os tokens são registrados no blockchain, tecnologia que garante descentralização, desintermediação, anonimato e livre negociação de bens. É o mesmo sistema usado para negociar criptomoedas, como ethereum e bitcoin.

O NFT, como token não fungível, é a representação de um bem único. O NFT pode ser negociado de maneira completamente digital, mas garantindo que um usuário é de fato dono do token. Alguns exemplos de NFTs são animações, pinturas, músicas e até tuítes. Você pode comprar réplicas dessas obras — mas apenas uma pessoa será a dona do bem original.

Uma aplicação conhecida dos NFTs está nos games. O jogo CryptoKitties foi lançado em 2017 e permite que jogadores comprem tokens que representam gatinhos virtuais e os revendam. Ainda no universo da tecnologia, Jack Dorsey, fundador da rede social Twitter, vendeu seu primeiro tuíte por US$ 2,9 milhões.

Empresas tradicionais também estão de olho nos tokens não fungíveis. A revista Playboy está vendendo edições e fotos como NFTs. Já a liga de basquete americana NBA criou uma plataforma própria de negociação dos melhores momentos dos jogos, transformados em NFTs.

Para os compradores, adquirir uma NFT permite apoiar seu criador e fazer qualquer uso do token não fungível, inclusive revendê-lo. Já o criador recebe não apenas na primeira venda, mas possivelmente royalties pelo uso de direitos autorais e uma taxa cada vez que o NFT troca de mãos. Os NFTs são guardados em carteiras virtuais, assim como criptomoedas.


Brodr: direitos musicais viram NFTs

A Brodr foi criada por cinco sócios: Henrique Mascarenhas, Khalil Sautchuk, Márcio Buzelin, Max Oliveira e Ricardo Capucio.

Mascarenhas é entusiasta do blockchain e empreendedor — criou a RM Sistemas, vendida para a gigante de tecnologia Totvs. Sautchuk tem experiência em marketing, principalmente com influenciadores. Buzelin é tecladista da banda Jota Quest e responsável pela curadoria artística com olhar empresarial da Brodr. Oliveira é fundador do site MaxMilhas, apaixonado por música e investidor-anjo da Brodr. Por fim, Capucio é advogado e responsável por entender a legislação sobre direitos autorais em obras musicais.

Capucio conta que a inspiração para atuar em NFTs surgiu de uma missão junto de Mascarenhas para conhecer o ecossistema suíço do Crypto Valley, especializado em iniciativas envolvendo blockchain.

“Vimos que o segmento atraía cada vez mais investidores, e ficamos impressionados com o potencial do blockchain em segmentos como cartórios, educação e finanças. Focamos especialmente na tecnologia de NFT. Tudo que conhecemos será tokenizado, com uma representação segura dentro do blockchain”, diz o cofundador.

Em 2019, Capucio e Mascarenhas participaram de um programa de um ano na Singularity University, no Vale do Silício. A ideia trabalhada foi a Cryptolands: um jogo que envolvia a compra e venda de lotes de planetas e doações associadas. Os terrenos são ficcionais, mas o dinheiro transacionado era de verdade.

A mentoria na Singularity University levou os empreendedores a focarem em um segmento do dia a dia, em que o NFT chegaria mais rápido.

“O NFT pegou na arte. Entendemos que o segmento da música teria a primeira grande aplicação global de tokens não fungíveis com alto valor agregador. A música se digitalizou, então está próxima do NFT. Receber royalties pela música é uma prerrogativa e, como advogado, me apaixonei pelo projeto de transformar o direito autoral em NFT”, diz Capucio. A legislação brasileira garante a posse dos direitos autorais por até 70 anos após a morte do autor.

Você também pode conferir aqui. 




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